Pax Intratibus

25.5.06

Esta Ilha é Toda Minha!!!


Alarmantes, desarmantes e chocantes. Eis como defino as intervenções públicas do Dr. Alberto João Jardim. Alarmantes porque nos mostram Governos Centrais sem força. O Dr. até se permitiu afirmar publicamente o seguinte: "...Não sei se Portugal Continental ainda tem barcos de guerra para ocupar a ilha.... Eu respondo: - A Marinha de Guerra Portuguesa tem muito poucos barcos; o que tem são navios. Suficientes para ocupar a Ilha? Claro que temos Sr. Dr. e ainda sobram.
O Dr. já decidiu que caso a Lei das Incompatibilidades seja aprovada pela Assembleia da República esta não será aplicada na Madeira, e comentou: "Quem quiser que invada a Ilha". Em relação a esta matéria diz que Cavaco Silva é uma pessoa de bom senso. Já se esqueceu de quando dizia precisamente o oposto.
As suas intervenções são desarmantes porque o homem diz o que lhe dá na real gana sem olhar a quem. "Penso, logo digo" poderia ser o seu lema
à la maniére Cartesiana. Isto num político é de se ficar de braços em baixo. O homem recusa-se a ser hipócrita e mentiroso em exagero, o que num Homo Politicus é de gabar.
São chocantes porque está careca de nos dizer sem mandar recado por ninguém que lá na Ilha quem manda é ele e ponto final. O estranho é que seja qual for o Partido Político que esteja a constituir Governo nunca mostre uma atitude de firmeza clara e objectiva. Há que provar a este Senhor que o estatuto de autonomia tem limites, o problema é que ele os excede com a aparente conivência dos próprios e sucessivos Governos Centrais, tem um estatuto de inimputabilidade que leva a questionar se o homem não será um sociopata furioso ou um esquizofrénico zeloso. Este Sr. lembra-me um verso de uma cantilena que a Juventude Hitleriana arengava: "... Se não fores meu irmão parto-te a cara...", ou seja, se não és dos meus és contra mim.
Os media designam-no muitas vezes por o Senhor da Madeira, por algum motivo será e não me parece que a ironia contenha todo o aparato deste cognome. Porque não D. Alberto João, "O Prepotente"?
Confesso que uma pontinha da minha pessoa admira o homem pela coragem desmedida (louca?) pela frontalidade por vezes absurda, pela recusa da subtileza reptiliana a que a restante classe política já nos habituou.
Cuidado D. Alberto, cuidado que a Espanha espreita. Não queira que aconteça à Madeira o que aconteceu a Timor. Não nos queriam lá e depois levaram com o Gigante Indonésio em cima o que lhes foi muitíssimo mais adverso. E confessemos que Isla de la Madera soa muito mais mal do que Ilha da Madeira (não julguem que me esqueço da linda Ilha de Porto Santo).
O "Nesta Ilha Mando Eu" já vai fartando. Mas quando aparecerá alguém com os coisos no sítio que lhe mostre que naquela Ilha mandam os Madeirenses, ou seja, os Portugueses e não um pseudo-monárquico, ou se preferirem um monárquico de pacotilha.

19.5.06

O Rastilho Lento

Alterar, alterar, alterar. Eis um dos lemas mais queridos de Portugal, melhor dizendo, de alguns Portugueses, os que mandam mais que eu que não mando nada a não ser neste meu Convento a precisar de reformas urgentes. Confesso que não tenho tido sorte com os meus superiores eclesiásticos, vamos agora recorrer a esse Irmão de bom coração, o Ministro das Finanças, mas estou com um pressentimento ruim, que por certo não corresponderá à realidade. Mas continuando, a sensação que sempre permanece em mim é que esses senhores têm uma falta de visão profunda no que toca às prioridades e à forma de melhorar, de alterar para melhor funcionar. Alterar para tornar melhor ésempre uma boa medida e só não muda de ideias quem as não tem. No entanto, quando nos deparamos com tantas e tantas alterações ao já feito, quantas vezes se verifica que sim, elas eram urgentemente necessárias e sim, o que foi alterado ficou melhor ao nível estrutural e ficou, ao mesmo tempo, mais funcional. Essas são em quase todo o Portugal uma triste minoria.
Lembro-me há anos atrás de uma atitude por parte de um Autarca que foi inédita à luz do que sei. A situação passou-se em Tavira, cujo Presidente da Câmara, o ex-ministro Macário Correia, submeteu àdecisão directa dos cidadãos por referendo se o antigo Depósito de Água deveria ser demolido ou permaneceria no seu lugar de sempre podendo ser eventualmente aproveitado de outra forma, já para não falar do facto de que era algo que pertencia ao legado histórico da cidade (se bem que não muito recuado no tempo), o que na minha opinião bastaria para não ser destruído. O povo decidiu, o depósito não se demoliu. Quantos exemplos destes poderíamos recolher em todo o País? Muito poucos, por certo. Quando são os cidadãos consultados de forma adequada acerca de mudanças estruturais que irão alterar o seu espaço urbano, rural, o seu espaço ecológico?
Só somos cidadãos de 1ª aquando da ocorrência de eleições. Depois de eleitos os candidatos sortudos passamos a ser considerados uma carneirada amorfa (sem qualquer desprestígio para os ovinos que são animais que merecem todo o meu respeito) que não se organiza porque não sabe nem quer chatices. Os gajos estão lá, eles que decidam, foi para isso que ganharam as eleições. Não, não foi! Ganharam porque a maior parte dos eleitores apostaram que eles eram as personagens indicadas para proceder às devidas alterações que urgem neste País. Os senhores políticos eleitos, por seu lado, pensam que se deve fazer tudo da melhor maneira (que ésempre a sua) e que os cidadãos não têm voto na matéria, até porque isso seria muito perigoso.
Somos como um depósito de gás dentro do qual vai lentamente aumentando a pressão. De acordo com a Física quando o metal não aguentar o esforço, a pressão em Kgs por cm², o depósito rebenta. Penso que mais cedo ou mais tarde isso nos vai acontecer, tal como já aconteceu parcialmente se bem que com bastante seriedade na França e mais recentemente com mais gravidade em São Paulo. Como disse Júlio César "Alea Jacta est" (os dados estão lançados, a sorte está jogada).

13.5.06

Medidas Urgentes do Governo Para Minorar a Crise



Verificando-se ser a situação da economia Portuguesa um autêntico descalabro, vem o Conselho de Ministros anunciar por este meio as novas medidas obrigatórias a todos os Cidadãos Portugueses entre os 16 e os 65 anos, independentemente do seu posicionamento psicossexual.
Não queria o Governo deixar de explicar que tudo isto se tornou necessário e urgente. Assim e com o devido acórdão de Sua Excelência Digníssima, Reverendíssima, Ilustríssima, Meritíssima e Eminentíssima, o Senhor 1º Ministro, decreta este Conselho de Ministros que as novas medidas abaixo mencionadas deverão entrar em vigor a partir do dia 1 de Junho de 2006. Atendendo a que a época balnear aumentará, por certo, a entrada de dinheiro nos cofres e tendo sido considerada inadequada a data retroactiva de 1 de Maio para a entrada destas medidas, proceder-se-à à imposição de os Portugueses com idades compreendidas na faixa etária supracitada passarem a usar a partir das 00.00 horas de 1 de Junho uma pulseira electrónica que medirá e contabilizará as actividades sexuais dos Portugueses. Assim sendo, cumprirão os Cidadãos o respectivo pagamento mensal sob pena de pesadas coimas se o não fizerem. Para o efeito deverão adquirir por 8€ o livro de contabilidade específico para o efeito (que pode ser usado por cada 2 meses), o chamado LCQLFOCAIMO (Livro Contabilístico das Quecas, Lambedelas (vulgo: passar o corredor a pano), Frequência do outro Canal, Actos Impuros com as Mãos e Outros). Os respectivos impostos a cobrar por cada acto, serão:

Queca = 3 € cada (fica esta definida desde o momento da entrada do pénis até à ejaculação, o orgasmo feminino não é tido em conta porque de uma forma geral demora mais tempo, exceptuando-se o caso em que se usem meios ortopédicos como os vibradores e outros objectos fálicos);

Lambedelas (ou Sexo Oral) = 2 € pelo 1º minuto e um acréscimo de 0,35 € pelos restantes;

Terceiro Canal (ou Relações Anais) = 5 € (é mais caro por ser considerada uma prática impura e que costuma dar um andar novo o que também é de cobrar (é definido segundo os mesmos parâmetros da Queca, ou seja, desde a penetração à ejaculação);

Actos Impuros com as Mãos (Masturbação) = 0,75 € se praticada pelo próprio e 1,5 € se houver “ajuda” de outrem.

Actos Sexuais com animais de 4 patas = 25 €

Actos Sexuais com Animais de Pena (galinhas, patos, etc.) = 50 €

Visualizar Pornografia Acompanhada de Masturbação = 4 €

Material Pornográfico Sem Qualquer Acto Sexual Simultâneo ou Consequente (6 minutos seguintes) = 0,10 €


Nota: 1 - É muito importante preencher bem o livro já que as entradas neste deverão coincidir com os dados obtidos pela pulseira electrónica. Se existir desfasamento serão sempre considerados correctos os valores obtidos pela pulseira e serão aplicadas pesadas coimas aos infractores.
2 – A ejaculação precoce, a disfunção eréctil, a frigidez, a dispareunia, bem como qualquer problema que impeça a Queca e o Terceiro Canal de serem efectivados terão de ser devidamente comprovados por uma equipa de futebol (se for uma mulher) ou um homossexual masculino e por um mínimo de 10 meninas da noite no caso de se tratar de um Heterossexual ou Homossexual feminino. Os Bissexuais serão analisados caso-a-caso.
3 – A Pulseira apenas será passível de troca ou de ser retirada por outros motivos que se considerem plausíveis por um Técnico Superior da Pulseira do Ministério das Finanças.
4 – Qualquer situação não abrangida por este Diploma será considerada “Caso Omisso”, tendo o Ministério das Finanças o direito de interpretar da forma como melhor convier ao Estado Português.

Esperando o Governo não ter de endurecer estas medidas no corrente ano, terá este em linha de conta os resultados obtidos nos 3 meses seguintes à entrada em vigor deste diploma. Levanta-te...Portugal.

7.5.06

O Governo do nosso descontentamento


Li no CorreioAlentejo que há um grande descontentamento dos agricultores em relação ao Ministro da Agricultura. Li já não sei onde que há um grande descontentamento dos professores em relação à Ministra da Educação. Li que há um grande descontentamento em relação ao fecho de pelo menos 13 maternidades. Os Países do 1º Mundo esforçam-se por levar os cuidados de saúde ao utente, cá é o oposto, o utente é que se tem de deslocar cada vez mais longe para obter esses cuidados. Descentraliza-se o que nunca se devia e o que se deveria descentralizar, centraliza-se. Ah! “Ganda” País! Li também que há um grande descontentamento dos funcionários públicos em relação a vários ministros. Parece que também há um grande descontentamento dos Psicólogos porque a respectiva Ordem nunca mais vê a luz do dia. Também li que há um grande descontentamento de muitos portugueses em relação à chamada regionalização. Li também que há um grande descontentamento dos Portugueses em relação a quase tudo o sai do Conselho de Ministros. Também li que muitos Portugueses estão descontentes com a política seguida pelo 1º Ministro a vários/muitos níveis. A isto se junta o grande descontentamento dos Portugueses em relação ao “inimigo”, o nosso querido Ministério das Finanças. Posto isto, cabe perguntar: Quem são os não-descontentes deste País? Se já tivéssemos uma super-cidade no Alentejo (porque nas restantes cidades e vilas alentejanas o futuro afigura-se negro) como parece ser o futuro de Évora poderíamos perguntar ao administrador-geral dos Alentejanos, mas como isso ainda não aconteceu (felizmente!), dirijo-me a todos os que me leiam. Afinal quem é que está contente neste canto sudoeste da Europa? Será possível termos conseguido finalmente um Governo que consegue (coisa rara) não agradar nem a “Gregos nem a Troianos”? Tanto se poderia fazer e tão pouco se faz.
O vizinho Cavaco (é algarvio) falou na A.R. aquando do 25 de Abril sobre as crescentes desigualdades sociais. Foi o estouro da boiada, o voar da serra de palha em vento exposto ao temido ciclone, das áridas mais às esquerdas até às desérticas mais às direitas, passando pelos mais ou menos centros, tudo ficou de boca aberta da brutal surpresa sentida na nossa sui generis Assembleia da República. O B.E. e o PC terão pensado: ”Este discurso é nosso, qual é o papel deste gajo?”; o PS terá cogitado: “Mas o que é que este gajo está a fazer? A complicar-nos a vida, está a dar cabo disto tudo!”; o PSD e o PP devem ter pensado apenas qualquer coisa deste tipo: ”Este gajo só pode estar maluco, deve ter-lhe subido o cargo à cabeça para vir com um discurso destes que nem tem por onde se lhe pegue”. Não sou militante de partido algum, mas que gostei da surpresa com que o nosso P.R. presenteou a Assembleia, isso gostei e muito.
Um outro assunto de que me apetece falar (escrever) é o seguinte: Invadiram os EUA o Iraque e só nos últimos tempos já o nosso Governo aumentou os combustíveis umas 5 vezes. Então para que foi aquela palhaçada toda? Toda a mortandade que já aconteceu e que continua a derrubar inocentes de um lado e de outro para a morte, para quê? Quem ficou e está bem servido com esta guerra? Agora os EUA (leia-se George Bush) namoram os campos petrolíferos do Irão, mas parece que estes são um osso muito mais duro de roer. Tentando seguir esta linha de pensamento filosófico-distorcida-distraída Bushsniana, o Presidente da Venezuela (outro dos grandes produtores de petróleo do planeta) já mandou as companhias estrangeiras p’rás urtigas e pôs as Forças Armadas Venezuelanas a patrulhar/guardar o petróleo com o argumento de que se está em solo da Venezuela pertence ao povo Venezuelano.
Nós mandamos militares, gastamos com eles o que não temos e nem um garrafão de gasolina lucramos com isso! Ouvi dizer a alguém muito próximo do 1º Ministro que este ano os Portugueses iriam ter um cabaz de Natal digno de gente rica, cada família receberá 3 garrafões de gasolina e um de gasóleo para usar ou vender no mercado negro. Isto para calar as má-lingua (como eu, risos) que acham que não temos sido mais do que um pau-mandado da política externa dos EUA. Excepcione-se a corajosa e tão criticada atitude do Ministro dos Negócios Estrangeiros quando não se pôs a cacarejar a favor dos cartoons sobre Maomé como alguns saudosistas que continuam a viver no século XI e a sonhar com as Novas Cruzadas. As antigas sabemos nós que não resultaram principalmente devido à ganância dos Europeus e às suas atitudes anti-cristãs. No que toca à piedade muito teríamos aprendido com os muçulmanos da época não fora a nossa desdenhosa atitude de lhes chamar Infiéis e nada mais.
Excepção à regra foram os bravos Cavaleiros do Templo de Salomão, os Templários, os melhores e mais justos guerreiros de todos os tempos, que o vil Rei Francês Filipe “o Belo” e o Papa da época se encarregaram de destruir para roubar as tão famosas riquezas desta Ordem de Monges-Guerreiros. Mas afinal o que roubaram? Terras! As supostas toneladas de ouro e prata já tinham sido tão bem escondidas que ainda hoje se espera encontrar esse fabuloso tesouro em que as mãos gananciosas de um Papa e de um Rei franco não conseguiram jogar as unhas.
O espírito destes homens acusados de tantas coisas, entre as quais de se entenderem com os muçulmanos (que teria sido a única forma de todos terem direito e livre-acesso à cidade de Jerusalém) perdeu-se em grande parte no tempo. Mas o que se perdeu pode ser recuperado. Deveríamos fazer uma “vaquinha” e oferecer ao Bush a “História dos Templários” e “As Cruzadas vistas pelos Árabes”, talvez o homem aprendesse qualquer coisa.
É difícil compreender o presente sem perceber os eventos do passado. É como que uma casa sem paredes. O Revivalismo ardente destes ódios cruéis perpassa toda a sociedade. ‘Tá bem, pronto, nem toda (“maldito Celtibérix”). Há grupos de pessoas que não se deixam enredar nestes rápidos fluviais. O meu voto é que estes grupos continuem a aumentar para desgosto daqueles que cultivam a guerra como forma de vida.

2.5.06

Oração ao Alentejo

Deixei todo o meu sono, a minha preguiça nos braços quentes do pôr-do-sol na planície.
Larguei a minha agressividade, a raiva de por vezes, na cálida, doce e calma Lua Cheia de Maio.
Escondi quase todos os meus defeitos numa Lua Nova de um Outono, a excepção foste tu.
Tu, o meu defeito maior, o que não posso esconder no Sol nem na Lua.
Guardo-o bem à vista numa estrela da Constelação de Virgem.
E se por vezes essa estrela desce e estremece na planície, há algo em mim que se apaga para logo a seguir se reacender com a força de uma galáxia.
A planície chama e clama por aqueles que a podem ouvir. O seu chamado é melancólico, suave e ao mesmo tempo prenhe de sentimentos de descoberta, de aventura.
Partiria eu contigo ao seu chamado não fora seres uma estrela.
As estrelas já têm em si a luz suficiente que me falta a mim, a tantos mins deste nós que somos todos.
Os astrónomos desconhecem-te, os astrofísicos nem tentam explicar-te.
És uma estrela do coração, do amor, da paixão, do meu arrependimento.
Quem te precedeu também foi estrela do coração. Foi Krishna, Buda, Yahia (João Baptista).
Os judeus, o teu povo, chamam-te Yeshua, os Muçulmanos chamam-te Issa.
Eu chamo-te o que concentra em si todas as estrelas que te precederam e Maomé que te seguiu no tempo e afinal de contas te veio relembrar.
Queda-te por instantes na planície, vive na brisa que percorre as folhas da árvore mas não se detém nelas.
Dá-nos o teu estandarte para que nos guiemos, dá-nos a tua bondade para que não prejudiquemos, a tua força para que resistamos às sucessivas instâncias dos vários governos para nos derrubarem.
Por isso Yeshua, Issa, permanece na planície por nós, por ti e pelos que não acreditam em Krishna, no Buda, em Ti, em Maomé, em Yogananda, em Sai Baba, em Krishnamurti, em Ramakrishna, em todos os que de uma forma ou outra sempre pregaram a compaixão, o amor incondicional, o respeito por toda a Natureza, pelo Universo, por todos os que a ti se assemelham e quase são iguais.
Fica por momentos e olha pela planície, por nós alentejanos, Yeshua...


 
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